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JAROSLAV SEIFERT
( Tchecoeslováquia )
Prêmio Nobel de Literatura de 1984, é um dos mais expressivos expoentes da moderna poesia tcheca.
Nascido em 23 de setembro de 1901 no bairro proletário de Zizkov em Praga, largou o ginásio para se dedicar ao jornalismo e à literatura.
Nos anos 1930, Seifert foi seduzido pelo surrealismo. Apesar de seu contato com vários “-ismos” da época, Seifert sempre permanece genuinamente tcheco, autêntico na sua polifonia ritmada e melodiosa. É facilmente compreensível, sem artifícios simples — mas nunca pobre. A sua forma preferia, em que alcançou a verdadeira perfeição, são versos rimados, sobretudo rondeis e pantumes, cujas voltas e eternos retornos aparecem nesta pequena seleção.
Apesar de profundamente lírico, Seifert sempre participou da vida política do país. Durante a ocupação nazista escreveu um livro engajado, Apaguem as luzes, em que exalta as tradições culturais thecas e condena a invasão hitlerista.
Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, Deifert começa a preparar a coletânea Capacete cheio de terra, em que canta a libertação de Praga, exaltando o papel do exército soviético. Não imaginava que, 23 anos mais tarde, lançaria um desesperado protesto contra a chegada desse mesmo exército.
Desde 1968 até a sua morte em 10 de janeiro de 1986, Seifert viveu afastado da vida política, mas suas obras nunca deixaram de ser publicadas e ele continuou a ser o poeta contemporâneo mais popular.
Em 1984, Jaroslov Seifert, já gravemente doente, recebeu no leito do hospital em Praga, com grande surpresa, a notícia de ter sido escolhido pela Academia Sueca como ganhador do Prêmio Nobel de Literatura (o primeiro Nobel concedido a um autor tcheco). Esse merecido prêmio homenageia não somente um poeta, mas sim toda a poesia tcheca, tradicionalmente de alto nível e, infelizmente, tão pouco divulgada.
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BRASIL EUROPA. Poesia da União. Projeto Gráfico: Christiane Borin de Souza. Brasília: Editora Moderna - Embaixada da Espanha, 20002. Capa: Silvana Matrievich, No. 10 967 Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
TEXTOS EM TCHECO
TEXTOS EM PORTUGUÊS
Tradução de Guido André Araújo
PARA A GAROTA, QUE MORA
JUNTO AO CEMITÉRIO
Ciúmo dos anjos e de todas as cruzes,
escutam-te, quando ao piano sentas;
ciúmo dos anjos, se aproximam das luzes,
quando vais dormir ou pela manhã levantas.
E depois ciúmo daqueles mortos na sepultura,
em cujas cabeças vês velas se extinguir,
que tão perto estão da morada tua
e tão perto de ti podem dormir.
CANÇÃO
Com um lenço branco acena
quem de despedida,
cada dia algo se finda,
algo belíssimo se fina.,
O pombo-correio com as asas no ar
martela,
voltando para casa;
com esperança e mesmo sem ela,
sempre voltamos para casa.
Limpe as lágrimas
e nos olhos chorosos sorria,
cada dia algo se inicia,
algo belíssimo se inicia.
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Poesia publicada em fevereiro de 2026
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